Tratado sobre a loucura

Tudo começou com o jantar sorrindo para mim.

Passou um tempo e eu comecei a refletir sobre as mudanças profundas pelas quais venho passando. Pelo fato d’eu saber que meus neurônios, as vezes, entram em curto e pelo temor que isso seja progressivo e degenerativo (e o pior, que isso possa ser passado adiante com maior facilidade que um Fiat 147 azul).
Estou enlouquecendo. O mais aflitivo e, talvez, injusto, percebo a evolução da doença. Já não sou eu mesmo, minhas atitudes e promessas de nada mais valem.

Sou um cidadão modelo, não jogo lixo na rua, paro para os velhos inúteis atravessarem a rua, cedo meu lugar aos incapacitados e faço tudo isso por acreditar nesses valores, por boa índole, mas já sou capaz de trair a mim mesmo. Ética das cavernas, fidelidade dos mercadores do século XV.
Minha verdade é como a verdade de todos vocês, é a meia verdade esplendidamente retratada pelo poeta Carlos Drummond de Andrade:

Verdade
(Carlos Drummond de Andrade)

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Não se iludam, não criem expectativas, eu já me desiludi muito e a muitos também. Não posso mais prometer nada sendo que não tenho controle sobre aquilo que outrora achava que tinha.
Pelo menos faço aquilo que grande parte de vocês não faz – Me escarneço em público antes de escarnecer o alheio. Sempre procuraram me doutrinar a controlar os instintos que me levam a declarar abertamente tudo isso. Não posso, não consigo ir contra minha natureza.

E por favor, tudo isso não é endereçado diretamente a ninguém, não tem destinatário certo nem recado subliminar. Não se trata de indireta, é diretamente minha massa cinzenta defecando.
Pelo 3º dia preciso do dobro da dose de Rivotril para apagar. Carlos Drumond de Andrade é poesia, mas Geto Boys também é.

MY MIND PLAYING TRICKS ON ME.

Tragédia japonesa

Foi só eu mandar enquadrar a gravura 神奈川沖浪裏 do mestre do woodblock print Katsushika Hokusai pra acontecer um tsunami por aquelas bandas.

Isso pq eu pretendia tatuar a gravura. Depois do que aconteceu eu to pensando se vou fazer isso mesmo.

Cancelar na Vivo, eu consegui!

Acabo de quebrar um paradigma.
Sim, estou me preparando psicologicamente há dias para ligar na Vivo e cancelar minha internet 3G, aquela do pirulito.
Munido de papel e caneta, anoto o dia, hora, nº do protocolo e nome da atendente (Jaqueline, que após 2 minutos de conversa já tratava por Jack).
Jack é astuta, tenta me subornar com 50% de desconto nas próximas 3 faturas. Nego. Enrola mais um pouco e acaba me oferecendo um aparelho Samsung S5230, inteiramente ” de grátis”. Ela enumera as qualidades do celular – Ele tem tela TouchScreen, Câmera 3.2MP c/ zoom 4x, Filmadora, MP3 Player, Rádio FM, Bluetooth Estéreo 2.0… Espero pacientemente a operadora de telemarketing passivo terminar de ler o seu discurso e pergunto se ela não viu em meu cadastro, que deve estar aberto em sua tela, que sou o proprietário de 3 Iphones habilitados pela própria Vivo, ou seja, eu realmente não cedo a chantagens baratas. Mediante meu contragolpe, ela se dá por vencida e aceita o checkmate.
Me passa o nº de protocolo de cancelamento e deseja uma boa tarde.
Desligo, olho no relógio e constato que o processo todo de cancelamento durou apenas 14 minutos (sendo 6 minutos ouvindo bossa nova à espera de alguém puxar minha ligação). Mais um detalhe que chamou minha atenção – Não caiu a linha, não fui transferido e ela NÃO USOU GERÚNDIO!!!!!

Deixo aqui o link para um pequeno tutorial sobre como cancelar sua internet pirulito 3G da Vivo, muito útil.

http://explicatudo.com/cancelar-vivo-3g

Personal Shopper

Não tem coisa melhor do que ter que comprar legumes a granel no mercado e ao chegar no balcão, tenda, balde, barril, cesta ou qualquer que seja o recipiente que as contém, encontrar um saquinho com unidades previamente selecionadas por alguém que desistiu da compra. Hoje isso aconteceu com as cebolas, precisava de algumas e lá estavam elas, 5 cebolas bonitinhas, fechadinhas num saquinho, previamente selecionadas. Agora sei como se sentem as pessoas que possuem um personal shopper.

Mollis lex sed lex

Algumas pessoas conseguem botar seus instintos mais primitivos para dormir por toda a vida, coisa que eu invejo, pois meu forte realmente não é o autocontrole. Todos nós, muitas vezes, pensamos em coisas impublicáveis, condenáveis até, mas sabemos que entre pensar e executar existe um abismo que a maioria sequer se atreveria a espiar de longe, quanto mais tentar a travessia.
De verdade, eu não sei se teria coragem de puxar o gatilho, apesar de desejar isso, caso me deixassem frente a frente com esse excremento. Só espero que alguém tenha a coragem de fazer aquilo que, se não é certo, pelo menos é merecido. Eu realmente teria prazer em ouvir que alguém conseguiu assassinar esse calhorda (com requintes de crueldade vale uma estrela dourada no prontuário).
Esse energúmeno escalpelou até a morte uma criança de 6 anos, deixando o rastro de sua bestialidade por 7 Km. Você poderia substituir o trecho “deixando o rastro de sua bestialidade por 7 Km” por “deixando pedaços de pele, couro cabeludo, carne, sangue e fluidos corporais de uma criança de 6 anos por 7 Km”, afinal, foi isso que ele fez, tendo total consciência de seu ato. Por ser “de menor”, o maldito foi “condenado” a três anos de medida socioeducativa. Enquanto cumpria a tal medida (cuja intenção, veja bem, é educar), tentou matar um agente. Agora, aos 18 anos, está livre. Como vem sendo constantemente ameaçado de morte, o Estado, cumprindo sua função com galhardia, está colocando esse pobre cidadão debaixo de sua asa. Ainda não há decisão tomada, mas dependendo da gravidade das ameaças que vem sofrendo, o desafortunado será mantido no programa de proteção especial, o que lhe dá o direito de ser transferido para um lugar considerado seguro, com uma nova identidade, podendo receber subsídio em dinheiro e com direito a assistência psicológica. Ah, já estava me esquecendo da cereja no bolo – não é cobrada nenhuma contrapartida do beneficiário, ou seja, o sacripanta não precisa estudar nem trabalhar.
Como serei eu (e você) um dos que irão sustentar tal benefício, seria justo ter o direito a opinar. Posso não ter coragem de puxar o gatilho, mas de atirar a primeira pedra eu não abriria mão. Algum paralelepípedo sobrando por aí?

A propósito, os amantes do direito poderão alegar que isso tudo está na Lei, e se está na Lei, é legal… Legal!!! Bacana!!!

Poderão (e como adoram) proferir as citações em Latim:
– Beneficium juris nemini est denegandi
– Bona est lex si quis ea legitime utatur

Pois eu acho que “Beneficium juris nemini est denegandi”, em alguns casos, deveria sim. E “Bona est lex si quis ea legitime utatur”, não, as vezes ela pode ser perniciosa.

É, meu querido… Sugiro trocarmos o “Dura lex sed lex” para “Mollis lex sed lex”.

Só resolvi escrever esse monte de baboseiras pra ver se passa a minha dor de cabeça, uma vez que a ânsia não se transformou em vômito consumado graças à recente cirurgia de refluxo a que fui submetido.

REVOLTA!!!!!!!!!!!

(Cada vez que penso que o João Hélio, quando assassinado, tinha a idade que meu filho tem hoje, agradeço pela cirurgia de refluxo e, principalmente, agradeço por estar única e exclusivamente sob a tutela de Deus, apesar de ter que me submeter às leis desse Estado imundo)

Administrar o caos, quem se habilita?

Acabei de ouvir que os presídios em Porto Príncipe ruiram com o terremoto, sendo que os presos, antes de fugir, roubaram todas as armas dos policiais… Nos presídios que não ruiram por completo, todos os presos foram soltos. As pessoas estão fazendo barricadas com cadáveres, numa forma de protesto pela demora na chegada de ajuda humanitária.
Sabemos, por experiências anteriores em situações de calamidade em locais sem instituições firmemente constituídas que, por incrível que pareça, as doações em qualquer espécie (dinheiro, alimentos, roupas, medicamentos) têm a entrega comprometida por milícias ou, em casos piores, pelo próprio governo, que querem levar a sua parte ( o famoso “pedágio” ). Espero, sinceramente, que pessoas capacitadas sejam destacadas para a tarefa de administrar o caos que se tornou o Haiti. Se me pedissem ajuda nessa tarefa, sinceramente, eu declinaria.

O inferno é logo ali, no Haiti

Estou acompanhando há mais ou menos 1 hora, via CNN e seu âncora Anderson Cooper, a cobertura in loco da tragédia no Haiti.
Eu confeso que jamais imaginei que pudesse ver algo parecido. Anderson Cooper andando entre as ruínas e relatando o cheiro insuportável dos corpos em decomposição. Mais adiante, ele para ao lado de um monte de escombros de onde emerge um pé, que se mexe. As pessoas correm e começam a cavar, com as mãos, tentando desenterrar o autor dos sons guturais.
Os que conseguem ser salvos não tem para onde ir, não existem instituições públicas (hospitais, bombeiros, polícia, prefeitura, Deus…) que possam prestar auxílio.
Acabei de perguntar pra Eliane se eu poderia ir até lá, se conseguisse chegar de alguma maneira, e a resposta dela foi que eu já tenho meu filho pra cuidar (as mulheres sempre são mais sensatas).
Só sei que assistir àquilo tudo me mudou um pouco, ainda não sei quanto ou o que, mas mudou alguma coisa.

Chamada a cobrar…

indiana jones legoHoje o Enzo, do alto de sua experiência de 5 anos de idade, me ligou a cobrar no celular. Quando a musiquinha terminou, ouço a seguinte frase: “Enzo, de São Paulo”. Chorei de rir… Tadinho, essa foi a primeira ligação a cobrar da vida dele, por isso o respeito à risca com a solicitação do “Diga seu nome e a cidade de onde está falando, pirururuuuu”. Mas não parou por aí. Eu tinha pedido que ele só me ligasse em caso de urgência, mas esqueci que urgência na concepção de uma criança é bem diferente daquilo que julgamos ser urgente. Olha o papo: “Pai, tô com uma situação de urgência aqui… Como vc fez pra pegar o motor do avião que tá ne meio do lago no jogo do Indiana Jones de Lego?”. Tinha como não responder que bastava ele ficar na margem do lago, mirar o chicote no motor e apertar bola? Amo meu filhote!

Snif… Snif…

Viciei em Rinossoro. Mas não aquele “normal” 0,9%. O bicho pega no Rinossoro SIC hipertônico spray 3%. Desce rasgando as vias aéreas, salga tudo, trava a garganta. Meu ritual de utilização são 2 espirradas em cada narina e uma no céu da boca. Sugiro que experimentem.

rinosoroSpray3

Alô?

Atender o telefone é coisa rara pBXK18428_telefone800ara mim. Eu odeio telefone, com todas as minhas forças. Se meu celular toca e o que aparece no visor não é um nome, significa que aquela ligação não é oriunda de alguém que eu conheça, ou melhor, pode até ser e a pessoa está me ligando de uma outra linha que eu não tenho cadastrada em minha agenda, mas azar dela, não atendo.

Sim, às vezes eu me dou mal por conta desse transtorno do qual sou acometido. Uma vez o consulado estava me ligando, tentando agendar um horário para me atender. Eu tinha total interesse nisso, mas perdi.

Mas às vezes, sabe-se lá porquê, eu atendo.

Nessas ocasiões extraordinárias eu sigo um rígido código de conduta e nunca me arrependi. Pelo contrário, me arrependi quando não segui as regras impostas por mim mesmo à minha própria pessoa.

 

Se o interlocutor responde ao meu alô com um alô extremamente feliz – #NaCara

Se o interlocutor responde ao meu alô com um BOM DIA!!!!!!! extremamente feliz – #NaCara

Se o interlocutor responde ao meu alô com um Sr. Carlos Eduardo? – #NaCara

Se o interlocutor responde ao meu alô com um Por favor, o proprietário da linha está? – #NaCara

Ninguém que seja do meu interesse começa um papo comigo nesse alto astral todo ou me chamando pelo nome.