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Mollis lex sed lex

Algumas pessoas conseguem botar seus instintos mais primitivos para dormir por toda a vida, coisa que eu invejo, pois meu forte realmente não é o autocontrole. Todos nós, muitas vezes, pensamos em coisas impublicáveis, condenáveis até, mas sabemos que entre pensar e executar existe um abismo que a maioria sequer se atreveria a espiar de longe, quanto mais tentar a travessia.
De verdade, eu não sei se teria coragem de puxar o gatilho, apesar de desejar isso, caso me deixassem frente a frente com esse excremento. Só espero que alguém tenha a coragem de fazer aquilo que, se não é certo, pelo menos é merecido. Eu realmente teria prazer em ouvir que alguém conseguiu assassinar esse calhorda (com requintes de crueldade vale uma estrela dourada no prontuário).
Esse energúmeno escalpelou até a morte uma criança de 6 anos, deixando o rastro de sua bestialidade por 7 Km. Você poderia substituir o trecho “deixando o rastro de sua bestialidade por 7 Km” por “deixando pedaços de pele, couro cabeludo, carne, sangue e fluidos corporais de uma criança de 6 anos por 7 Km”, afinal, foi isso que ele fez, tendo total consciência de seu ato. Por ser “de menor”, o maldito foi “condenado” a três anos de medida socioeducativa. Enquanto cumpria a tal medida (cuja intenção, veja bem, é educar), tentou matar um agente. Agora, aos 18 anos, está livre. Como vem sendo constantemente ameaçado de morte, o Estado, cumprindo sua função com galhardia, está colocando esse pobre cidadão debaixo de sua asa. Ainda não há decisão tomada, mas dependendo da gravidade das ameaças que vem sofrendo, o desafortunado será mantido no programa de proteção especial, o que lhe dá o direito de ser transferido para um lugar considerado seguro, com uma nova identidade, podendo receber subsídio em dinheiro e com direito a assistência psicológica. Ah, já estava me esquecendo da cereja no bolo – não é cobrada nenhuma contrapartida do beneficiário, ou seja, o sacripanta não precisa estudar nem trabalhar.
Como serei eu (e você) um dos que irão sustentar tal benefício, seria justo ter o direito a opinar. Posso não ter coragem de puxar o gatilho, mas de atirar a primeira pedra eu não abriria mão. Algum paralelepípedo sobrando por aí?

A propósito, os amantes do direito poderão alegar que isso tudo está na Lei, e se está na Lei, é legal… Legal!!! Bacana!!!

Poderão (e como adoram) proferir as citações em Latim:
– Beneficium juris nemini est denegandi
– Bona est lex si quis ea legitime utatur

Pois eu acho que “Beneficium juris nemini est denegandi”, em alguns casos, deveria sim. E “Bona est lex si quis ea legitime utatur”, não, as vezes ela pode ser perniciosa.

É, meu querido… Sugiro trocarmos o “Dura lex sed lex” para “Mollis lex sed lex”.

Só resolvi escrever esse monte de baboseiras pra ver se passa a minha dor de cabeça, uma vez que a ânsia não se transformou em vômito consumado graças à recente cirurgia de refluxo a que fui submetido.

REVOLTA!!!!!!!!!!!

(Cada vez que penso que o João Hélio, quando assassinado, tinha a idade que meu filho tem hoje, agradeço pela cirurgia de refluxo e, principalmente, agradeço por estar única e exclusivamente sob a tutela de Deus, apesar de ter que me submeter às leis desse Estado imundo)